Ensine valor, não ensine preço

14 de dezembro de 2015 , In: Experiências, Relatos , With: No Comments
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Reza a lenda que o dinheiro é a origem de todos os males. Para ser sincera eu não gosto de nada de cunho tão radical assim. Para mim, nem tudo é tão preto no branco.

Acredito que a sociedade capitalista e dependente de dinheiro em que vivemos, por muitas vezes nos deixa cegos. Chega um ponto em que é muito mais fácil culpar a falta ou excesso do dinheiro por problemas que são de nossa responsabilidade.

Se o dinheiro é a origem de TODOS os males eu não sei, mas que tal pensar sobre como isso se reflete na sua relação com o seu filho? Posso dizer que quando deixamos que o dinheiro seja a estrela da nossa vida, ele pode servir de base para dois problemas entre você e seu filho que você só vai perceber quando for tarde demais: falta de intimidade e excesso de culpa. Aqui vai um exemplo para você entender melhor como isso se aplica na prática.

Os meus vizinhos são daqueles do tipo que, mesmo você não querendo, fica sabendo da vida inteira do cara. Pois bem, uma bela noite, no horário em que meu vizinho costuma chegar cansado do trabalho (me pergunta como é que eu sei disso?!), eis que escuto a seguinte conversa entre ele e seu filho (uma criança de 10 anos), após o menino, mais uma vez, ter aparecido em casa com uma nota baixa:

“- (nome da criança), dá uma olhada nisso daqui…

 – O que tem, pai?

 – Você está vendo o valor que está no papel?        

 – Tô, pai.

 – É barato?

 – Não, pai…

 – Pois esse é o valor que pago todo o mês para você, SÓ DE ESCOLA! Deixo de comprar as coisas PRA MIM para te dar e você faz isso?!

 – (silêncio)”

Agora, veja bem, não estou dizendo que você não deve ensinar ao seu filho a dar valor ao sacrifício que você como pai ou mãe muitas vezes faz para que ele tenha as melhores chances que puder. Na verdade, só você deve saber a maneira como educar seu filho de acordo com os seus princípios.

Meu interesse é te mostrar que, se ESSE é um princípio importante para você, talvez não exista uma única maneira de fazer isso. Talvez, você não precise expor para o seu filho os sacrifícios que faz por ele de uma maneira tão pesada, sob forma de contas que você não pode pagar, faturas atrasadas e saldos negativos. Esses não devem ser os pensamentos de uma criança, essas não devem ser as preocupações de uma criança!

Mesmo que essa seja uma realidade para você no momento (que atire a primeira pedra quem nunca passou por dificuldades financeiras), lembre-se: nada disso é culpa do seu filho. Ele não pediu para nascer, essa foi uma escolha sua.

Será que o vizinho do exemplo já parou pra pensar que isso pode fazer com que seu filho não consiga olhar nos seus olhos? Que ele vai se sentir como uma eterna âncora na vida do seu pai? Como aquele que o impede de vencer? Que essa criança vai se sentir mal só de pensar em pedir alguma coisa a ele? Que vai se sentir mal quando ganhar alguma coisa, pensando no quão caro custou?

Você deve estar pensando “Nossa, Anna, que exagero! Ninguém faz isso!”. Sinto lhe dizer que você está enganado. Eu vi isso acontecer diante dos meus próprios olhos e ainda vejo essa cena se repetir. Dia após dia me deparo com pais e mães como o nosso amigo vizinho do exemplo. Isso é sério. Isso pode mexer com a cabeça de uma pessoa e pode determinar o quão saudável será a sua relação com o seu filho no futuro.

Seu filho não precisa saber em números o quanto você gasta com ele por mês. Ele precisa saber que tem pais que se importam o suficiente para, dia após dia, darem o seu melhor por ele, mesmo em meio as dificuldades. É isso que fará ele se sentir amado e agradecido.

Com amor e paciência, ensine seu filho a ser grato por tudo o que você pode oferecer a ele, mas não como se ele estivesse lhe devendo um favor. Se quiser construir uma relação saudável de amor e gratidão com seu filho, ensine o VALOR das coisas para ele, não o PREÇO.

Anna Djamila

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Nascida em Itabuna, signo de Peixes. Formada em Relações Públicas, mas Educadora de construção e coração. Amo minha família e minha ocupação favorita é SER MÃE. Amo os livros! Sonho em ter uma Livraria ou uma ONG para animais abandonados. Cheia de ideias, criatividade não me falta, sou exagerada, falo muito. Faço meditação para conversar com Deus!

 

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