Bullying

29 de abril de 2015 , In: Desabafos, Relatos , With: No Comments
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Muito ouvimos falar sobre bullying. Nós, adultos, achamos uma perversidade cada história contada, mas esquecemos do que as crianças são capazes. Esquecemos do que fomos capazes um dia. Não estou falando de atrocidades e maldades; mas, sim, da sinceridade exacerbada em achar graça no “problema” do outro e fazer piada ou até mesmo rejeitá-lo por isso.

À medida que vamos crescendo, vamos entendo as convenções sociais, o que pode e não pode ser feito. Vamos tendo consciência da complexidade dos nossos atos.

Mas, enfim, nós adultos sofremos junto com as crianças. Ainda mais se a “vítima” for o nosso filho. Me deparei com essa situação recentemente:

– mamãe, eu estou triste porque tem dois coleguinhas na minha sala que não gostam de mim…

– como você sabe, filho? Será que não é impressão sua?

– não, mamãe. Eles já falaram várias vezes que não gostam de mim e não querem brincar comigo porque eles são maiores e mais fortes que eu…

(Silêncio… Não sabia o que responder! Sim, é comigo; pior, é com o meu filho!! Milhões de coisas passaram pela minha cabeça… Pena do meu filho, vontade de conversar com os pais dos coleguinhas, raiva da situação, mas nunca raiva das crianças. Lembro da minha infância e sei como as coisas acontecem).

Respirei fundo e prossegui:

– que bobagem filho… Você brinca com tantos coleguinhas menores que você. Não tem problema nenhum nisso. Não fique triste, logo vocês estarão brincando juntos.

Participo de um grupo no Whatsapp com todas as mães e alguns pais dos colegas de classe dos meus filhos. Resolvi mandar uma mensagem. Escrevi com muito cuidado para não parecer que estaria culpando os coleguinhas e sem querer dizer os nomes deles para não constranger os pais.
Eis-la:

“Oi, pessoal. Tudo bem? Venho compartilhar um assunto comum, mas que sempre devemos ficar atentos. Sei que por questão de afinidades, é natural que se formem grupinhos na sala de aula, sei também que é muito natural as crianças “rejeitarem” outras por motivos quaisquer. Fomos crianças e passamos por isso. Então… Meu filho, Rodrigo, está bastante triste porque dois amiguinhos da sala já verbalizaram diversas vezes que não gostam dele porque eles são maiores e mais fortes. Ele gosta desses amiguinhos e fica triste por se sentir “rejeitado” por eles. Por favor, gostaria que vcs “investigassem” isso com seus filhos (meninos) para saber até que ponto é fantasia de Rodrigo e até que ponto é real. Por favor, não estou condenando os amiguinhos, sei que não tem maldade, só quero saber a melhor forma de conduzir o tema com ele. Se possível pedir para os coleguinhas chamarem o Rô pra brincar, sem forçar nada, claro rs. Ele vai ficar feliz :). Obrigada, pessoal!”

Finalmente, com a mensagem pronta, um segundo antes de envia-la, desisti. Tentaria primeiro de outra forma, antes de provocar uma comoção em todos os pais.

Fui para a agenda escolar do meu filho e lá redigi a mensagem que mudaria a relação dos três (do Rô e dos seus dois coleguinhas). Nela relatei o que estava acontecendo, pedi para que as professoras ficassem atentas e, principalmente, estimulassem o contato e as brincadeiras entre os três.

Sem constrangimentos ou  forçação de barra, no dia seguinte o Rô voltou da escola contando entusiasmado:

– mamãe, hoje a escolinha foi muito legal! Brinquei bastante com os meus dois coleguinhas e eles gostaram muito de brincar comigo!

Ufaaaa! Coração aliviado. Nós, mães e pais, precisamos ficar atentos para não deixar os problemas ganharem uma dimensão maior, seja através da situação ou da maneira que lidamos com ela.

Com a mesma convicção anterior, o meu filho recontou a história, se sentiu aceito e deu o caso como resolvido. Aliás, nem se lembrava mais do que tinha acontecido antes! É incrível a capacidade que as crianças têm de superar desafios.
Aprendamos com elas.

Sei que muitos desafios ainda virão pela frente. Mesmo com um frio na barriga, penso que serei privilegiada por atravessar todos eles, sempre do lado dos meus filhos. Estaremos juntos, crescendo, amadurecendo e até sofrendo, mas, com amor e cumplicidade, o sorriso sempre reinará. Esse é o MEU maior desafio.

Olívia Berni
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Esse foi um caso bem simples de bullying que, felizmente, eu percebi no início e consegui reverter sem maiores problemas. Mas existem muitos outros casos. Para ajudar em todos eles, existe uma literatura crescente. Aqui indico a Coleção Bullying na Escola, lançada pela Blue Editora. Ela apresenta várias abordagens do bullying e inclui maneiras de lidar com essa situação. Confiram no link ao lado: http://www.blueditora.com.br/site/detalhe/116-bullying-na-escola

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Nascida em Itabuna, signo de Peixes. Formada em Relações Públicas, mas Educadora de construção e coração. Amo minha família e minha ocupação favorita é SER MÃE. Amo os livros! Sonho em ter uma Livraria ou uma ONG para animais abandonados. Cheia de ideias, criatividade não me falta, sou exagerada, falo muito. Faço meditação para conversar com Deus!

 

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